segunda-feira, 24 de outubro de 2011

SOBRE AS NUANCES DO HUMOR

Saudações.

Vamos direto ao ponto: meio que parodiando o conceito secular do que é BELEZA, eu fico pensando muito sobre os conceitos do HUMOR. Existe todo aquele lance de achar "tal padrão de ser humano bonito ou não-bonito" e ficar pensando DE ONDE DIABOS surgiu essa padronização (bom eu tenho quase certeza de que tudo tem a ver com a disposição das formas geométricas corporais, mas não vem ao caso agora). Daí eu gosto de associar tudo isso às variações do conceito de senso de humor que existem por aí. Particularmente, eu gostaria de citar o senso de humor na INTERNET, se é que me permitem balbuciar algumas palavras sobre este tema interessantissimo e curiosissimo, alem de ser deveras INTERESSANTE E CURIOSO

Bom, vejam o Twitter, é um local agradabilíssimo, eu gosto bastante e não compreendo quem reclama que lá é chato, pois é só saber seguir as pessoas certas. Mas aí está a questão, amigos: o que consideramos ou não como as tais pessoas certas? Muitas pessoas que eu sigo possuem o seu senso de humor próprio, retweetam as pessoas que gostam, criticam outros tipos de humor e não precisam ser retardadas mentais pra serem engraçadas e etc. Mesmo estas pessoas chatíssimas (esqueci de mencionar que o exemplo acima relaciona-se a pessoas chatas pra caralho, perdão) possuem senso de humor. A questão aqui não é dizer se FALTA ou NÃO FALTA senso de humor; e sim, as suas variações, suas NUANCES.

Vejamos um exemplo classico. O que mais me chama a atenção ao meu "conceito de humor" é um jeito mais descontraído de escrever, sem tantas afinidades com a virgula e muito menos com concordancias verbais ou ate mesmo acentos e pontuações dignas de um lorde, e tambem com mais CAPS. Eu sei aplicar a grafia culta da nossa língua em diversos contextos, mas convenhamos que nem todo momento é momento, não é mesmo? Entao vamos a um exemplo classico (qualquer semelhança com a realidade pode ser a realidade mesmo)

SITUAÇÃO:

Um Rapaz posta uma foto no Facebook tomando uma gelada na praia durante o expediente, com o adicional de ter cultivado uma barba ligeiramente falha no qual a falha está nítidamente exposta na imagem.


Senso de humor tipo 1
do tipo COLEGA OU FAMILIARES DA FEIJUCA DE DOMINGO

"éeeEeeEEh vidão assim a vida fica facil......... soh patrao!!! mas ja esta na hora de tirar esta barba rrrrrsssss #fato aparece mais aí FEDERAL. ahhuahuaha"

Veja, eu até compreendo este humor e confesso que às vezes dou boas risadas, mas ainda não é o meu preferido.


Senso de humor tipo 2
do tipo AMIGO MAIS NERD OU FAMILIAR (familiares são raros) QUE TEM MAIS INTIMIDADE COM COMPUTADORES

Bom esse sinceramente eu nem tenho vontade de exemplificar, geralmente posta alguma piada escrita de uma forma mais contida embora cheia de sacadas "inteligentes", seguida por um daqueles MEMES como o exemplo abaixo

NOSSA QUAL A GRAÇA DISSO AQUI? NA MORAL? QUEM FOI QUE DISSE QUE "MEMES" SIGNIFICAM ROSTOS COM EXPRESSÕES EXAGERADAS? PAREM COM ISSO POR FAVOR? É DIGNO DE SENTIR VERGOLHA ALHEIA (A VIDA JA É LASCADA E CHEGA VOCES COM ESSA PORCARIA)


Senso de humor tipo 3
do TIPO QUE ESCREVE O QUE VEM À CABEÇA E NAO SABEMOS MUITO BEM SE ELE ESTÁ NOS COLOCANDO UMA SENTENÇA AFIRMATIVA OU INTERROGATIVA

"pinto a barba com carvão"


O meu preferido disparado, veja que não há compromisso com o humor. Veja que a dúvida fica paraindo no ar, e gira em loops infinitos. Eu gosto de humor descompromissado. Gosto desse humor descontraído, desse humor moleque.



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bem amigos acho que resumidamente são esses os nuances que mais se destacam no humor na INTERNET, eu terminei explicando o meu ponto de vista baseada em absolutamente NADA, nao sei voces mas concordo com tudo o que postei aqui.

abraços e ate mais ver

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Sobre o nada

Além do Bem e do Mal, p. 68



Há uma grande escada de crueldade religiosa, com muitos degraus, mas três desses degraus são mais importantes. Outrora, homens eram sacrificados a seu deus, talvez justamente aqueles mais amados entre os demais. Assim ocorreu com as oferendas das primícias em todas as religiões pré-históricas. (...) Mais tarde, durante a época moral da humanidade, sacrificava-se a seu deus os próprios instintos mais violentos, sacrificava-se sua própria "natureza"; essa alegria de sacrifícios brilha no olhar cruel do asceta, do iluminado, do "contra-natura". O que restava ainda a sacrificar? Não se chegaria ao ponto de sacrificar tudo aquilo que havia de confortante, de sagrado, de sadio, toda esperança, toda fé numa secreta harmonia para a felicidade e a justiça futuras? Não se devia sacrificar o próprio Deus e, por crueldade contra si mesmo, adorar a pedra, a estupidez, a força da gravidade, o destino, o nada? Sacrificar Deus ao nada – esse mistério paradoxal de extrema crueldade foi reservado à geração presente:
todos nós já sabemos alguma coisa a respeito.


Isso em 1886. Sempre esqueço que é tudo muito antigo.


É péssimo pra mim ainda me sentir incomodada. Nunca fui religiosa dogmática e tenho uma puta sensação estranha de sair escrevendo "Deus" com letra maiúscula.

Mas sinceramente, falando de coração: essa COISA que hoje em dia vocês chamam de "ateísmo" não devia mais nem ter o direito de carregar esse nome.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

"Não posso conceber que o relógio exista e não exista o Relojoeiro."

Em termos de comprovação científica, não existem respostas sobre o significado da vida e da morte neste planeta. A velha discussão do que é ou não pode ser, ou até mesmo a questão do por quê algo ser ou não considerado, já não produzem mais certezas de espécie alguma.


Tomando como exemplo uma pessoa trívia, que vive intrinsecamente com o que há de mais denso e concreto; falando de um modo geral, o ceticismo que é atestado pela mente e seus cinco sentidos (aqui também incluem-se os dogmáticos; dogma é desespero, e o desespero provém da mesma fonte)... Essa pessoa, no fundo de sua suposta consciência, auto denomina-se a própria certeza. Mas o que é a certeza nisso, afinal? Certeza em relação a que nível? — Sem esquecer que 'certeza' e 'verdade' têm significados completamente diferentes. Seria maldade demais atribuir essas pessoas à verdade, já que essa é justamente a última peça que lhes falta para tapar a pequena fresta de ar puro que ainda refresca o interior de seu alçapão construído com o material do tipo mais grosseiro e barato. Materiais que, por uma certa ironia, deveriam servir como uma legítima prova concreta. Hoje, eles só servem para asfixiar. A verdade é manipulada de tal forma que também termina por virar um outro tipo de material. E quem manipula algo perigoso do qual não tem conhecimento, torna-se, a partir desse segundo, um suicida em potencial.


Se afirmarmos que o Universo foi — e ainda é — matematicamente inteligente, de forma que caiba tanto suas leis quânticas como o seu livre-arbítrio, desde seu princípio até o último átomo remanescente — Se provarmos aos nossos frágeis e mal-formados sentidos de que tudo é disposto de uma forma onipresente, uma força suprarreal, uma fonte de vontade pura de potência — Com um pouco de sorte e insistência, chegamos aqui a uma retórica: não seria então a mente a maior pregadora de peças de todos os tempos?


É, rapaiz.



(a frase do título é de Voltaire)

domingo, 27 de março de 2011

"O espírito livre"

Durante os anos da juventude, se venera ou se despreza ainda sem essa arte da nuance que constitui o melhor benefício da vida e, mais tarde, é natural que se pague muito caro por ter assim julgado coisas e pessoas por um sim ou não.

Tudo é disposto de forma que o pior gosto, o gosto do absoluto, seja cruelmente burlado e profanado até que o homem aprenda a colocar um pouco de arte em seus sentimentos e que, em suas tentativas, dê preferência ao artificial, como fazem todos os verdadeiros artistas da vida. A inclinação à cólera e o instinto de veneração, que são próprios da juventude, não parecem repousar até que tenha desfigurado homens e coisas para poder assim se desafogar. A juventude em si já é alguma coisa que engana e que falsifica.

Mais tarde, quando a alma jovem, torturada por mil desilusões, se encontra finalmente cheia de suspeitas contra si mesma, ainda ardente e selvagem, mesmo em suas suspeitas e seus remorsos, como haverá de entrar em cólera contra si mesma, como haverá de se dilacerar com impaciência, como haverá de se vingar de sua longa cegueira, que se poderia julgar voluntária, tanto se enfurece com ela!

Nesse período de transição, o homem se pune a si mesmo, por desconfiança de seus próprios sentimentos; martiriza seu entusiasmo pela dúvida, a boa consciência já aparece como um perigo, a ponto que se poderia acreditar que o eu está irritado com isso e que uma sinceridade mais sutil se cansa com isso; e sobretudo, toma partido, por princípio, contra a "juventude". Dez anos mais tarde se dá conta que isso também não foi senão juventude!


Trecho de Além do Bem e do Mal
Nietzsche

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Há algo de cruel...

Não há entendimento do sentido de culpabilidade. Por tabela, também não há entendimento sobre a questão da abolição do sofrimento. Não há nada melhor que "condições contrárias" para alimentar o perigo, a pressão e a opressão em troca da ousadia e sutileza de elevar-se até a absoluta vontade de potência.

Não há entendimento sobre o sentido de compaixão, mesmo em favor daquele que é superior. Não há entendimento sobre o sentido de ciência, por mais sedutora que seja.

Não há porque se prender ao próprio desapego, por mais que seja o lugar mais parecido com o que mais se deseja. Não há porque estar sempre ligado às próprias virtudes; assim, termina-se por ser sua própria vítima. Portanto, não há porque desenvolver o dom da hospitalidade.

É necessário esse ato de esconder-se e afastar-se. Afastar-se de todo o martírio, o martírio "por causa da verdade" - como se a verdade, alguma vez na vida, veio a necessitar de defensores.

É necessário saber se conservar.
É necessário economizar em aprender e esquecer.
É a melhor prova de independência.
É o chamado 'excesso de livre-arbítrio'.