Em termos de comprovação científica, não existem respostas sobre o significado da vida e da morte neste planeta. A velha discussão do que é ou não pode ser, ou até mesmo a questão do por quê algo ser ou não considerado, já não produzem mais certezas de espécie alguma.
Tomando como exemplo uma pessoa trívia, que vive intrinsecamente com o que há de mais denso e concreto; falando de um modo geral, o ceticismo que é atestado pela mente e seus cinco sentidos (aqui também incluem-se os dogmáticos; dogma é desespero, e o desespero provém da mesma fonte)... Essa pessoa, no fundo de sua suposta consciência, auto denomina-se a própria certeza. Mas o que é a certeza nisso, afinal? Certeza em relação a que nível? — Sem esquecer que 'certeza' e 'verdade' têm significados completamente diferentes. Seria maldade demais atribuir essas pessoas à verdade, já que essa é justamente a última peça que lhes falta para tapar a pequena fresta de ar puro que ainda refresca o interior de seu alçapão construído com o material do tipo mais grosseiro e barato. Materiais que, por uma certa ironia, deveriam servir como uma legítima prova concreta. Hoje, eles só servem para asfixiar. A verdade é manipulada de tal forma que também termina por virar um outro tipo de material. E quem manipula algo perigoso do qual não tem conhecimento, torna-se, a partir desse segundo, um suicida em potencial.
Se afirmarmos que o Universo foi — e ainda é — matematicamente inteligente, de forma que caiba tanto suas leis quânticas como o seu livre-arbítrio, desde seu princípio até o último átomo remanescente — Se provarmos aos nossos frágeis e mal-formados sentidos de que tudo é disposto de uma forma onipresente, uma força suprarreal, uma fonte de vontade pura de potência — Com um pouco de sorte e insistência, chegamos aqui a uma retórica: não seria então a mente a maior pregadora de peças de todos os tempos?
É, rapaiz.
(a frase do título é de Voltaire)